"O marketing não é uma batalha de produtos, é uma batalha de percepções." (Al Ries)
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terça-feira, 14 de outubro de 2014

"Pesquisa não é um oráculo"

* Pelo caráter esclarecedor replico entrevista da Diretora do Ibope - Márcia Cavallari ao Valor Econômico

Duas máximas, uma do marketing político e outra sobre os governantes, parecem ter sido decisivas na escolha dos candidatos nestas eleições. A primeira delas foi cunhada nos Estados Unidos, em 1992, na eleição do ex-presidente Bill Clinton. James Carville, estrategista do democrata, citou uma frase que, a partir dali, passou a definir o que poderia derrubar ou alçar à vitória um candidato: "É a economia, estúpido". A segunda é de 1957 e se tornou um exemplo da tolerância da população brasileira com a corrupção. Na época, o perfil do candidato do PRP, Adhemar de Barros, um tocador de obras monumentais, foi resumido com a seguinte frase: "Rouba, mas faz".
Diferentemente do que tanto se prega, Márcia Cavallari, CEO do Ibope, diz que o brasileiro continua fechando os olhos para a corrupção. "O eleitor ainda pensa: 'Se ele [o candidato] roubar, mas fizer alguma coisa, estou ganhando mais do que com um que não rouba'", afirma a pesquisadora e cientista política, ao justificar votações expressivas em candidatos com o registro cassado pela Lei da Ficha Limpa.
O desempenho da economia é o calcanhar de aquiles das candidaturas. Pragmáticos, os eleitores não querem perder nenhuma das conquistas das últimas duas décadas. Inflação? Nem pensar. Estão de olho no futuro. Buscam fora de casa as melhorias que levaram para dentro. Têm TV, geladeira, máquina de lavar roupa, mas querem um serviço de saúde pública que funcione de fato, segurança e educação. "O eleitor não quer ilusões. Quer coisas tangíveis e em pouco tempo."
Na sala da diretora do Ibope ouve-se, como se estivesse ali dentro, o estrondo do bate-estaca no terreno ao lado do prédio, na esquina da alameda Santos com a rua Augusta. O escritório, em alguns momentos, chega a tremer, sacudido pela força da máquina de 50 toneladas. O impacto, porém, não é tanto se comparado ao barulho das críticas por causa das disparidades entre alguns levantamentos e os resultados da eleição.
Márcia Cavallari trabalha há 32 anos no Ibope e diz estar acostumada às reclamações. Explica que a pesquisa representa um momento e ele seria tão fugaz que poderia mudar em segundos. "Quando entregamos uma pesquisa, ela já é o passado. A pesquisa conta uma história, uma tendência. Não é um oráculo."
Valor: O Ibope foi vendido?
Márcia Cavallari: Por enquanto, não. Tem saído muita especulação. O que existe é que a WPP [uma das maiores agências de publicidade do mundo], um grupo sócio do Ibope na área da mídia, sempre teve interesse em ampliar a participação deles no instituto. Não tem nada fechado. A conversa sempre existiu e continua.
Valor: Vamos à pergunta mais óbvia.
Márcia: Posso eu mesma fazer: o Ibope errou nas eleições? Fomos o único instituto que realizou pesquisas sistematicamente nos 26 Estados, no Distrito Federal e a pesquisa nacional. Fizemos 134 pesquisas. Elas têm o papel de mostrar e informar o eleitor sobre a história da eleição. Se não fossem elas, não saberíamos como a Marina [Silva] entrou na eleição. Não teríamos acompanhado como ela cresceu nem a queda e a recuperação de Aécio [Neves]. Após o debate da TV Globo, as pesquisas detectaram e mostraram que ele estava na frente. A pesquisa conta uma história. Não pretende apontar o futuro, na casa decimal. Não consideramos que erramos porque contamos as histórias de todas as eleições em cada um dos Estados. Apontamos todas as tendências corretamente. O que acontece é que o eleitor decide o voto cada vez mais tarde. Espera os debates, conversa, vai formando sua opinião e muitos só decidem na hora em que entram na cabine para votar.
Valor: São os eleitores que demoram e induzem ao erro?
Márcia: Muita gente fala que o Ibope errou e está pondo a culpa nos eleitores. De forma alguma. O eleitor e o voto são soberanos. Não há pesquisa que substitua a vontade do eleitor e, por isso, a eleição só termina quando ele aperta a tecla "confirma". Se olharmos as curvas de tendência de cada um dos candidatos, podemos notar que o resultado é como se fosse uma continuação das tendências apontadas pelas pesquisas. Como se fosse um ponto a mais nessa tendência. Veja no caso do Aécio: foi 27%, 30% e ele terminou com 33%. O problema é quando há uma mudança brusca. Aí as pesquisas não conseguem captá-la com essa velocidade.
Valor: Esse pode ter sido o caso do Rio Grande do Sul, da Bahia?
Márcia: Bahia, não. A campanha começou com Paulo Souto [DEM] bem na frente. Rui Costa [PT] não era conhecido, foi subindo, crescendo e chegou na véspera da eleição empatado com Souto e um número altíssimo de indecisos.
Valor: Mas ele ganhou no primeiro turno...
Márcia: Na última pesquisa ele estava com 39%. Na boca de urna, tinha 49%. Foi de um dia para outro. Nós dissemos que Rui Costa poderia ganhar naquele dia ou enfrentar Paulo Souto no segundo turno. Não tem nada de errado. É importante dizer que, quando acabamos de fazer uma pesquisa, o resultado dela já reflete o momento anterior. Terminei no sábado, véspera da eleição. Aquilo não é estanque. Os eleitores continuam observando, conversando e podem mudar. Outra coisa que poucos consideram é que a pesquisa mede a opinião das pessoas. E ela muda. A pesquisa corre atrás. A pesquisa conta uma história da eleição, é um filme, uma tendência. Não é um oráculo. 
Valor: A pesquisa influencia os eleitores? Ajuda a criar o chamado voto útil?
Márcia: A pesquisa tem dois efeitos. Um que é institucional e outro direto no eleitor. O institucional, com ou sem divulgação, sempre vai existir. Influencia o caixa da campanha, que pode aumentar ou diminuir de acordo com a posição do candidato na campanha. O humor da militância, as coligações, o espaço que a mídia dá aos candidatos. O eleitor, por sua vez, pode usar a informação para escolher. Isso é legítimo, faz parte da democracia. O efeito não é unidimensional. Fala-se que todos votam de acordo com a pesquisa para não jogar o voto fora. Se fosse assim, quem começava em primeiro sempre terminaria em primeiro. Não é o que se vê. Pelo contrário. Neste ano, em uma das pesquisas perguntamos também quais eram as fontes de informação que o eleitor considerava na hora de decidir o voto. As pesquisas foram apontadas por 7% do eleitorado.
Valor: Quais eram as outras e qual era a mais importante?
Márcia: A mais importante era o noticiário da televisão, com 55%. A internet tem 20% [somando portais, blogs etc.]; a propaganda eleitoral gratuita influencia 26%; o noticiário dos jornais e o debate têm esse percentual também. E 48% dizem que decidem em conversas com amigos, familiares etc. Na eleição de 1989, veja só, começávamos a pesquisa nos interiores mais longínquos até chegarmos às capitais. Por quê? Porque se existisse algum fato importante, ele influenciaria as capitais e levaria um tempo até se refletir no interior. Hoje todos têm acesso simultaneamente à informação. A pesquisa é só mais uma informação.
Valor: A velocidade e a quantidade de informações disponíveis podem explicar essa decisão tardia dos eleitores?
Márcia: Podem, sim. E a democracia consolidada também. O eleitor foi aprendendo, teve decepções. Veja o exemplo da eleição de Fernando Collor: foi uma decepção para os eleitores. O eleitor que votou nele, hoje diz: "Errei". Por isso, o eleitor espera. Quer ver se não vai aparecer nenhuma denúncia, quer ver o debate, acompanha os últimos dias. Nas últimas pesquisas que fizemos, quando o eleitor falava em quem ia votar, perguntávamos se a decisão era definitiva, se era uma preferência e se havia chance de mudar. Cerca de 40% nos diziam que a decisão não era definitiva. Na pesquisa de quinta-feira [dia 2] entre os eleitores de Aécio, 63% diziam que a decisão era definitiva; 23%, que era firme, mas ainda poderiam mudar; 11% diziam que era só uma preferência. Entre os eleitores da presidente Dilma [Rousseff], 67% não mudariam e os de Marina eram 63%. Existia ainda um espaço de movimentação do voto, isso quer dizer troca. Na reta final, Aécio pegou votos de Marina e de Dilma também.
Valor: No começo do período eleitoral se falava em grande número de votos nulos, brancos...
Márcia: O nível de interesse pela eleição foi baixo durante boa parte da campanha. Talvez pela Copa do Mundo, que foi aqui, o interesse tenha começado mais tarde. Na verdade, mais de 50% passaram a dizer que se interessavam depois que Marina entrou na campanha. Interpretamos isso como a influência ainda das manifestações de junho de 2013 associadas à ideia de que os candidatos postos não representavam esse desejo de mudança. Quando ela entrou, os eleitores pensaram que ela poderia atender a essa expectativa. A chegada de Marina diminuiu pela metade o número de eleitores que diziam não saber em quem votar.
Valor: Como ela perdeu esse capital? Foram os ataques da oposição?
Márcia: Ela não conseguiu se sustentar, mas não foram só os ataques. As idas e vindas de opinião deixaram os eleitores inseguros e isso levou à queda lenta e gradual da candidata.
Valor: A estrutura partidária teve algum peso na queda?
Márcia: Ninguém vota pensando no partido. Só no candidato. A identificação partidária dos eleitores brasileiros é baixíssima. Os candidatos mudam de partido a cada hora, portanto as pessoas não consideram isso. O problema com Marina é que o eleitorado começou a sentir insegurança nela mesma: "Falou isso, agora voltou atrás. Falou aquilo, agora voltou atrás. Como assim?" Teve também a maneira como ela se posicionou diante dos ataques, que passou fragilidade. No imaginário, o presidente da República é alguém forte, firme. Outro ponto foi o fato de que o Brasil, há três eleições [desde a reeleição de Lula em 2006], tem uma clivagem social muito forte, o país fica bem dividido. Em 2002, Lula teve uma votação muito homogênea no Brasil. O escândalo do mensalão começou a dividir o eleitorado. Sul e Sudeste votando no PSDB e Norte e Nordeste, no PT. Em 2010, Dilma herdou esse eleitorado e, agora, o Brasil continua dividido em vermelho e azul. Mas, quando começou o mandato, ela conquistou esse eleitorado. As manifestações tiraram esse eleitor dela e ele nunca mais voltou.
Valor: Os padrinhos políticos ajudam?
Márcia: No caso do ex-presidente Lula, sim: 40% dos eleitores declaram que o apoio dele aumenta a vontade de votar em um candidato. Esse índice é o dobro do de outros possíveis apoiadores.
"Eleitor não quer ilusões. Quer coisas tangíveis"


Valor: Quais são os pontos negativos que mais atingem os candidatos?
Márcia: No segundo mandato de Lula a economia cresceu muito. A variação da renda média familiar ficou acima da variação do PIB, começamos a caminhar para o pleno emprego. Quando os eleitores elegeram Dilma, eles tinham o desejo de continuidade dessas conquistas. Ela foi eleita para continuar o caminho que fora trilhado por Lula. O que os eleitores pensavam: "A economia está estabilizada e dentro de casa está tudo bem, temos TV, geladeira, carro. Mas fora de casa está ruim. Eu não consigo ser atendido no posto médico; quando preciso de segurança, não sei se volto para casa; não tenho educação de qualidade para os meus filhos". Aí vieram as manifestações de "educação padrão Fifa", "saúde padrão Fifa", "segurança padrão Fifa". O que os eleitores querem? Que o país avance sem perder o que já conquistaram: "Não quero perder nada, quero mais. E não vem falar que a economia está estagnada". A economia é sempre o item mais importante na eleição presidencial.
Valor: Não se esperava uma influência maior das manifestações na votação dos candidatos?
Márcia: O problema é que elas não tiveram um líder. O ganho delas foi perdido. O eleitor, sem isso, começou a avaliar o cardápio de candidatos pensando qual deles teria mais condições de fazer o país ou o Estado avançarem. Não teve renovação política. O que pesou foi a proposta.
Valor: Nas pesquisas, cerca de 70% dos eleitores manifestavam o desejo de mudança. Olhando os resultados, isso não se concretizou no voto. O que ocorreu?
Márcia: O eleitor está cada vez mais pragmático, mais crítico, informado e busca ganhos tangíveis a curto prazo. Escolhe o candidato em quem vê a possibilidade de uma mudança rápida. Ele não quer esperar. Não há muito espaço para ilusões.
Valor: No caso do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, cujos índices de aprovação eram muito aquém da votação que obteve para eleger-se em primeiro turno, o que ocorreu?
Márcia: Foi simples. O eleitor pensou: "Entre esses candidatos e o atual governante vou ficar com isso mesmo". O desejo de mudança não diminuiu. Outra novidade foi que em mais de 30 anos de trabalho com pesquisa, nunca vi o eleitor falar que o governante deve respeitá-lo. Antes desta eleição, a palavra respeito não fazia parte do vocabulário. O eleitor quer ser o protagonista, quer saber por que lhe prometeram algo e não entregaram. Dar beijinho em criança não comove mais ninguém.
Valor: Qual seria o maior erro de um candidato em campanha?
Márcia: Do ponto de vista da opinião pública, qualquer ideia que passe a impressão de perder o que já foi conquistado é inadmissível. A estabilidade econômica, a oferta de emprego, os programas sociais são prioritários. Por isso funcionou a campanha do medo contra a Marina.
Valor: E as denúncias de corrupção podem derrubar um candidato?
Márcia: Nosso eleitor já tem o pressuposto de que a corrupção faz parte da política. Portanto, nesse aspecto, não existe um candidato melhor do que o outro. As denúncias de corrupção, em muitos casos, são tão complexas que o eleitor médio tem dificuldade de entendê-las. A denúncia aparece, some, a mídia não fala mais. Existem atos concretos. Por exemplo, se aparecer um candidato pegando dinheiro, isso será muito ruim para ele.
Valor: Mas e o caso do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, que foi filmado recebendo dinheiro que seria de propina e, no entanto, aparecia como favorito nas pesquisas?
Márcia: Nesse caso, aconteceu que o governador Agnelo Queiroz fez uma gestão tão mal avaliada que tudo passou a ser relativo. O eleitor dizia: "O outro [Arruda] estava roubando, mas estava fazendo". Agnelo, junto com a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalva, aparecia como um dos piores governadores. Arruda era bem avaliado. O crivo da corrupção não é tão linear. O eleitor ainda pensa: "Se ele roubar, mas fizer alguma coisa para mim, estou ganhando mais do que com um que não rouba".
Valor: Durante a campanha o eleitor desconfia das denúncias?
Márcia: Desconfia, sim. E o eleitor parte do pressuposto de que numa campanha sempre haverá denúncias e que na política ninguém é santo.
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Alto número de indecisos para senador e deputados: a culpa é do eleitor?

Como toda eleição para cargo proporcional no Brasil, os eleitores chegarão aos últimos dias antes da votação sem definir em quem votar. 

Pelo menos cerca de 30% dos eleitores não deverão chegar ao dia 03 de outubro com candidatos a senado e deputados (estadual e federal) definidos.


A questão é: por que isso ocorre?

A resposta simplista da pobre mídia nativa costuma ser relacionada a tese furada de que o eleitor brasileiro é alienado e ignorante... Para os políticos essa ladaínha é perfeita, pois tiram deles qualquer tipo de responsabilidade de conscientização eleitoral.

Só temos as costumeiramente boas peças publicitárias do TSE, mas elas não são suficientes para atingir todos eleitores brasileiros da forma que deveria, nem possuem capilaridade suficientes pra chegar a diversidade de público eleitores que temos no Brasil.

Em uma eleição como a desse ano que mistura diversos cargos diferentes, e que de uma só vez nos obriga a votar em Presidente, Governador, Senador 1, Senador 2, Deputado Federal e Deputado Estadual... não me venham falar que só os pobres e pouco escolarizados terão dificuldades, não só em como votar, mas também em saber o que cada um desses cargos políticos objetivam.

Agora, fico me perguntando o que os candidatos contribuem nesse processo... muito pouco, ou quase nada!  

Aliás muitos se aproveitam dessa mistura de cargos, funções e números para tentar ganhar votos confundindo ainda mais a cabeça do eleitor... (como aquele candidato ao senado de SP que está se fazendo passar por Ciro Gomes usando só o nome Ciro na sua campanha).

Depois de analisar sobre o postado acima, chego a conclusão do por que da pobreza das campanhas de deputado e senadores. Acredito que todos percebam que é quase regra geral que essas campanhas se pautam pelo quanto pior melhor... e é interessante para os candidatos que seja assim (principalmente para os políticos incompetentes).

As campanhas de deputado que vi nessas eleições não se preocuparam com mensagem nenhuma, não estabeleceram diálogo nenhum com eleitor, o que vi, foram paródias horrorosas (que nem podemos chamar de jingles), muito material impresso de qualidade duvidosa, para poluir bastante as cidades... e o pior é que acham que isso já é o suficiente!

Aliás, pior ainda são aqueles que pensam que trabalhar uma boa comunicação com o eleitor é perda de tempo... e que na verdade o que ganha eleição são as velhas práticas de compra de votos e troca de favores, pois é amigos, isso ainda é mais comum do que muitos pensam!!!

Depois disso tudo... o eleitor ainda é culpado de chegar sem saber em quem votar no dia da eleição??? Se isso for sinal de alienação preciso confessar então que sou mais um...


(Para os clientes da Logos Consultoria, tem funcionado muito bem o mapeamento de indecisos... agora o trabalho de pesquisa e marketing político que fazemos é para uma minoria que trabalha suas campanhas de forma diferenciada, partindo do princípio de respeito ao eleitor!)

domingo, 15 de agosto de 2010

[Republique-se] Minas e Rio serão decisivos na corrida presidencial II

* Em 20/07/2010

Os dados da última pesquisa Datafolha revelam equilíbrio de Dilma e Serra na disputa dos colégios eleitorais de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O eleitorado mineiro é de 14,5 milhões, 10,7% do país. O do Rio é de 11,6 milhões, 8,5% do total.

Lula venceu as duas últimas eleições ganhando com boa margem nesses Estados, e agora quem conquistará esses territórios.

Se pensarmos na disputa presidencial como o tradicional jogo de guerra - WAR, temos hoje Dilma muito perto de conseguir a missão de conquistar o Nordeste; já José Serra estaria também bem adiantado com suas tropas para conquistar o Sul.

Em todo país existem regiões que costumam ser vitais para que o candidato obtenha sucesso, vamos acompanhar como petistas e tucanos trabalharão para a missão mais importante do jogo deles.
Por enquanto é uma incógnita se os eleitores mineiros e fluminenses definirão fazer parte dos exércitos vermelhos ou azuis.
 
*******
* Em 15/08/2010
A pesquisa do Datafolha de ontem aponta uma vantagem de 8% para Dilma, mas o mais importante não é isso. Importante é observar como em regiões estratégicas ela está em uma tendência de alta.
 
Exércitos vermelhos na frente da batalha

Ontem Alberto Almeida (autor de: "A Cabeça do Brasileiro" e "A Cabeça do Eleitor") postou em seu twitter que Dilma ganhará no 1º turno com 15 a 20 pontos de frente. Mesmo reconhecendo que essa opinião é bem ousada acredito que caminhamos pra isso, ou perto disso.

Os tucanos aguardavam a TV para reverter esse cenário, mas quanto mais a Dilma aparece e é conhecida pela população como a candidata do Lula mais ela cresce, e Serra até agora não apresentou nada de novo, nada que fizesse a maioria da população abandonar o aprovadíssimo governo LULA. 
 
(Aliás, tema para outro post é saber se essa direção da campanha de Serra a se comparar a Lula não é um tiro no pé, acreditam que o novo jingle dos tucanos chama-se sai Lula entra Zé, muito estranho!)

Voltando as regiões estratégicas que já comentamos aqui desde julho, Dilma hoje já aparece na frente no Sudeste - região que Serra liderava antes. O tucano vence hoje apenas na região Sul do país.

Os estados de RJ e SP tão disputados até mês passado, Dilma abriu 41 a 25 entre os cariocas, e 41 a 34 entre os mineiros. Em PE a petista chega a 55% contra 22%.

Hoje Serra está vencendo, nos principais colégios eleitorais, em SP, PR e RS, mesmo assim a diferença principalmente em SP e RS já foi maior.

Enfim, minhas fichas hoje estariam todas apostadas em uma continuidade da administração petista, restou aos tucanos rezar para uma subida de Marina com o horário na TV para que ainda cheguem vivos no 2º turno.

Vamos aguardar o próximo cenário em meio ao horário eleitoral gratuito.

sábado, 1 de maio de 2010

As pesquisas na (pré) campanha!

Como sabemos não só os eleitores brasileiros decidem seu voto na última hora, os próprios políticos (pelo menos a maioria deles) deixam para planejar sua campanha as vésperas de ínicio do calendário eleitoral.

Aliás, a própria leguslação eleitoral brasileira é exdrúxula ao destinar apenas 3 meses de período eleitoral, enquanto os políticos saem bem antes de seus cargos e fingem que não estão fazendo campanha. Na verdade eles são obrigados a fazer pré-campanha! Não é mesmo Serra e Dilma?

Na LOGOS, temos clientes que já possuem consciência da importância do trabalho contínuo, que fazem pesquisas periodicamente e trabalham muito em cima de nossas avaliações (avaliação do governo, demandas dos cidadãos, problemas da cidade, etc). 

Por outro lado, também temos aqueles clientes que aparecem aos 45 minutos do segundo tempo. Geralmente precisam de consultoria ou pesquisas urgentes para apagar incêndios!

Na verdade, se pensarmos que estamos entrando em maio, os candidatos (e/ou interessados) nas próximas eleições que ainda não possuem relatórios de pesquisas com informações estratégicas sobre: viabilidade de candidaturas, alianças políticas, lideranças locais, demandas atuais da população, etc... ESTÃO MUITO ATRASADOS!

Aliás, quem ainda não possui informação, já deve estar pra trás da batalha eleitoral que está por vir. Para aqueles que pensam que pesquisas servem apenas para indicar quem está na frente ou atrás da disputa, não imaginam o quanto é importante um diagnóstico inicial. 

Nesse momento trabalhamos com uma avaliação mais abrangente, buscando avaliações não só quantitativas, quanto qualitativas das percepções dos eleitores. Apenas números não são suficientes para conhecer a imagem dos candidatos, para saber o que as pessoas querem dos próximos políticos eleitos, e o mais importante, compreender o cenário atual da política no local estudado e como ele estará nos dias de maior acirramento da guerra das eleições.

Falar em planejamento de campanha, estratégias e trabalho de marketing SEM um bom diagnóstico inicial e pesquisas frequentes é querer ir para uma batalha desarmado, sem bússolas, mapas, enfim, SEM NENHUM TIPO DE ORIENTAÇÃO. Ou como se diz na linguagem popular: "mais perdido do que cego em tiroteio"!

Exemplos sobre candidatos e campanhas derrotadas, devido aos motivos listados acima, estão aí presentes em todas as eleições. Os amigos blogueiros com certeza devem conhecer algum, comente aí! 

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O mau exemplo dos "grandes" da pesquisa!

Nas duas últimas semanas vimos o início de uma guerra entre os grandes institutos de pesquisa do país, que promete ir até o final das eleições. 

Datafolha, Sensus e Vox Populli apresentaram diferenças em suas pesquisas sobre a corrida presidencial. O pior disso foi como suas respectivas direções resolveram tratar o fato.

Todo ano eleitoral escutamos pérolas sobre as pesquisas que refletem ainda a ignorância popular (e de alguns ditos especialistas) sobre metodologia e eficácia desse trabalho. Se você não ouviu esse ano, ainda ouvirá: 

- "não acredito nessa pesquisa, eu não fui entrevistado!"; 
- " como pode 500 entrevistas representar um cidade de 90 mil habitantes? 

Essas e muitas outras ilustram o que afirmei acima, não vou entrar no tema metodologia de pesquisa e amostra nesse post! Mas era sim, para Datafolha, Sensus e Vox Populli ter levado para a população satisfações sobre questões técnicas de pesquisa que podem em algum momento resultar em diferenças nos resultados. Ainda, qualquer pesquisa está sujeito a erros e imprevistos no trabalho de campo, apesar de ser inadminissível a divulgação dos dados.

Enfim, o debate que estou querendo levantar para os amigos blogueiros, é que os Institutos de Pesquisa citados acima perderam uma grande chance de contribuir para o avanço do entendimento público sobre pesquisas, de forma contrária, levaram a discussão para valores ideológicos, e para a defesa de candidatos que "torcem" para vencer - alguém acredita nessa balela de neutralidade dos institutos (e da própria imprensa)???

De qualquer forma, o que estamos presenciando é um debate ideológico no qual cada um usa a arma  que tem para tirar a credibilidade do outro, e o pior, para defender seu candidato, tratando o interesse público como "coisa pequena".

Pouco importa nesse momento, se os números de intenção de voto de Serra estão em 33% ou 36%, ou se os de Dilma estão em 27% ou 30%.

Na verdade, até o mundo mineral já sabe que teremos uma disputa acirrada e polarizada nesses dois candidatos, e a campanha presidencial começa pra valer quando entra a TV.

Mas o que eu esperava dos "gigantes" da pesquisa era mais serenidade, (segurança e credibilidade) , e menos ambição de ser o "profeta" que acerta mais previsões!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Considerações - Pesquisa CNI / IBOPE p/ presidência

A pesquisa divulgada ontem nos revela alguns parâmetros para a campanha presidencial:

CENÁRIO 1 (SERRA) / CENÁRIO 2 (AÉCIO) 

Dilma chegou a 30% na estimulada e está consolidada na disputa. Os números de Ciro e Marina estacionados revelam que teremos uma disputa polarizada, alguém duvidava disso?

CENÁRIO SEM CIRO GOMES

Com a saída de Ciro Gomes, existe uma distribuição bem uniforme de seus possíveis eleitores para os outros candidatos. Ou seja, por enquanto não sabemos quem lucra com a participação do Ciro, e quem ganhará com sua possível saída.

ESPONTÂNEA

Dilma aparece com 14% na espontânea, 4 pontos na frente do Serra, vendo que Lula lidera até hoje, vê-se um reflexo do padrinho, e o conhecimento maior de que ela é a candidata do Lula. A questão é: será que a candidata governista conseguirá andar com as próprias pernas?

Já Serra cai mais um pouco, por um lado a insegurança devido a não confirmação de sua candidatura pode provocar grande prejuízo no futuro, entretanto,  mesmo sem assumir abertamente que é candidato ficar nesse patamar de 30% não é nada mal, desde que em campanha Serra tenha coelhos na cartola pois já é um político bastante conhecido nacionalmente.

Enfim, essa história que pesquisa nessa época do ano não vale nada não passa da página 2. Realmente, intenção de voto deve ser relativizada, mas os retratos tirados a cada pesquisa já servem de munição para as estratégias dos candidatos, principalmente os dados e pesquisa não divulgados e usados internamente pelas equipes de campanha.

Uma coisa é certa, teremos uma disputa concentrada em dois candidatos. Parece que será inevitável o plebiscito (tão sonhado pelo confiante presidente Lula!). Mas se por um lado, as comparações de governos PT x PSDB poderá favorecer Dilma, o debate de currículos (experiências políticas e administrativas) pode ser de grande valia para Serra. Veremos como isso será trabalhado pelas campanhas! 

Imagens: blog do Fernando Rodrigues - http://uolpolitica.blog.uol.com.br/