"O marketing não é uma batalha de produtos, é uma batalha de percepções." (Al Ries)
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sábado, 19 de junho de 2010

"O eleitor brasileiiro está apto a cuidar de si"

A frase acima é o título da coluna de Marcos Coimbra da edição 600 da Carta Capital.

Vale a pena reproduzir abaixo para os amigos blogueiros:

Eleger/Escolher

Já passa da hora de acabar com o paternalismo com que nossas elites veem o eleitor popular e de passar a respeitar o que ele quer. O eleitorado está apto a cuidar de si mesmo

por Marcos Coimbra, em Carta Capital

É possível olhar os eleitores brasileiros e vê-los de duas maneiras. Podemos considerar que são pessoas perfeitamente capazes de fazer escolhas, de assumir a responsabilidade por seus atos e de arcar com as consequências. Mas podemos ver o inverso, indivíduos incapazes de escolher racionalmente, que agem sem medir o impacto de suas decisões e que ignoram onde elas os conduzem.
Na primeira hipótese, tudo é mais simples na construção institucional. O desafio é encontrar os meios que assegurem a todos a possibilidade de exercer sua capacidade de escolha. Fundamentalmente, por meio da ampliação do acesso à educação e à informação. Daí em diante, a bola está com eles. Se escolherem bem, serão premiados.
Se não, pagam o preço estipulado. Combinado não é caro.
Se, no entanto, supomos que os eleitores são incapazes, temos um complicado problema de criação de garantias institucionais para protegê-los. Em última instância, de si mesmos. Se não conseguem fazer escolhas racionais, é necessário estabelecer anteparos que os defendam de sua irracionalidade.
Se a premissa é a incompetência do eleitor, precisamos de instituições tutelares. Como não consegue fazer as coisas certas, ele carece de quem o guie. Alguém superior, imbuído de instinto protetor. Que ocupe postos no Estado, por exemplo, no Judiciário e no Ministério Público, ou que esteja na própria sociedade. Talvez na imprensa, onde três em cada quatro jornalistas acham que sabem o que é bom para o eleitor.
Andamos muito no caminho da consolidação democrática nos últimos anos. Provavelmente mais nos 25 anos depois do fim da ditadura que nos primeiros cem de República. Em quase tudo mudamos para melhor no plano político.
Nosso eleitorado cresceu em tamanho, enquanto aumentou seu nível médio de escolaridade. Os segmentos de muito baixa escolaridade diminuíram e cresceu a participação das pessoas com mais tempo de escola. Neste ano, os eleitores com mais que o antigo curso ginasial, ou seja, com acesso ao segundo grau ou mais, serão perto de 50% do total. Os jovens nas famílias de baixa renda têm cerca do dobro da escolaridade de seus pais e quase quatro vezes mais que a de seus avós.
Enquanto aumentou, impulsionada pela escolaridade, a possibilidade de consumo da informação, ampliou-se em muito sua oferta, seja em mídias tradicionais (jornais populares, tevê a cabo, emissoras especializadas em notícias etc.), seja, especialmente, nas novas. Hoje a proporção de domicílios de renda menor com (bom) acesso à internet supera todas as expectativas que tínhamos há poucos anos.
O eleitorado envelheceu, à medida que o desenvolvimento trouxe a queda da natalidade e a elevação da expectativa de vida. Os eleitores mais maduros (com mais de 40 anos) já são quase a maioria. Deixamos de ser o país dos jovens.
Na política, isso quer dizer que não somos mais o país dos eleitores inexperientes. Com a estabilização institucional, sem golpes, sem intervenções autoritárias, as pessoas- foram aprendendo, na prática, o funcionamento da democracia. Hoje, votar tornou-se normal, não é mais um bicho de sete cabeças. Depois de ir às urnas duas,- três, dez vezes, o eleitor aprendeu as manhas das eleições e dos candidatos.
Apesar de todas essas mudanças, apesar do quanto amadureceu o eleitor brasileiro (adquiriu experiência, tornou-se mais informado e mais interessado), nossas elites teimam em vê-lo como um incapacitado. Insistem em tratá-lo como um bobo.
Nossa legislação eleitoral e nossos tribunais acham que cabe a eles o trabalho de proteger os eleitores das más influências. Andam com a ideia fixa de que precisam poupá-lo da “antecipação da campanha”, da propaganda “exagerada”. Vai ver alguns acreditam que o povo não sabe mesmo votar, que não consegue discernir.
Nossos juízes e procuradores que fiquem tranquilos. Os eleitores estão perfeitamente aptos a cuidar de si mesmos. Quando querem, punem os que fazem campanhas agressivas, excessivamente dispendiosas, os que forçam a barra, os que querem que eles engulam qualquer coisa.- Quem ouve a manifestação das pessoas nas pesquisas não tem razão para achar que elas carecem de proteção. Já passa da hora de acabar com o paternalismo com que nossas elites veem o eleitor popular e de passar a respeitar o que ele quer.
Os amigos concordam com ele? Vocês enxergam o eleitor brasileiro como capaz de fazer suas escolhas? Ou acham que são, em sua maioria, alienados?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Voto é razão ou emoção?


Nas experiências e estudos sobre o comportamento do eleitor essa talvez seja uma das maiores polêmicas.

Marketólogos, acadêmicos, políticos e interessados no assunto não se acabam em enormes discussões sobre a determinação do voto pela razão ou emoção do eleitor.

O que os amigos do blog pensam sobre isso? Como avaliam as determinantes do voto?

Os profissionais mais voltados para o universo acadêmico costumam ter uma queda sobre a "teoria da escolha racional", e acabam buscando razão para qualquer tipo de decisão do eleitor. (Exemplo: beneficiários do Bolsa Família votam em Lula porque estão ganhando algo com ele, e querem continuar assim).

Por outro lado, aqueles que costumam se envolver nas campanhas relutam em reforçar a importância do aspecto emocional nas eleições, ainda mais para o brasileiro. (Exemplo: quem se lembra da ex-mulher do Lula que apareceu na campanha de 1989? E a campanha de FHC trabalhando o medo dos eleitores (com atuação de Regina Duarte) do que seria um governo LULA?)

Outro ponto interessante desse debate vem sendo as pesquisas realizadas (principalmente fora do país) que relacionam a decisão de voto com a neurociência. Lavareda comenta sobre isso, em seu livro "Emoções Ocultas e Estratégias Eleitorais". O estudo do cérebro das pessoas nesse momento de escolha do candidato ainda terá papel fundamental para nós, profissionais de marketing político.

De qualquer forma, o que proponho aqui é abrir esse debate... o quanto podemos mensurar a racionalidade ou o sentimentalismo na escolha de voto de um eleitor?